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Atletas vencedores de um país perdedor
Em toda a história dos Jogos Olímpicos modernos, reiniciados em 1896, o Brasil obteve apenas 20 medalhas de ouro. São 91, no total. Menos que o número de medalhas obtidas pela China, neste ano.
Mas todos os nossos atletas, medalhistas ou não, são vencedores. São mulheres e homens que, em sua maioria, acordam cedo, dormem tarde, treinam nas horas vagas, não têm patrocínios nem nenhum apoio dos governos – municipal, estadual ou federal –, não se alimentam adequadamente e não têm dinheiro para comprar suplementos alimentares nem os mais básicos equipamentos desportivos. Quer caiam do cavalo ou no tablado; quer não consigam atingir índices nem quebrar recordes; quer sejam derrotados nas quadras, nos campos, nas raias, todos são vencedores, porque dão o melhor de si, sacrificam os seus dias em busca de um ideal, pelo prazer do que fazem. Vale repetir a pergunta, ainda que cansada: Que país é este? Que país é este, onde o Estado não proporciona o mínimo de recursos ou estrutura física aos seus atletas? Que país é este, em que pouquíssimos empresários se dispõem a patrocinar eventos ou desportistas? Que país é este, onde o atleta não pode agradecer publicamente aos seus patrocinadores, nos veículos de imprensa? Onde não pode sequer exibir, no boné ou na camiseta, a logomarca da empresa que o apóia? Este é o país em que vizinhos, parentes, amigos, se cotizam para comprar um uniforme, um tênis, uma passagem para que o atleta possa representar o seu país nas competições, e que quando vê a bandeira verde-amarela, desfraldada no alto do pódium ou agasalhando aqueles que não conseguiram galgá-lo, não consegue conter uma lágrima de orgulho que insiste em escorrer pela face. Nossos atletas, nosso povo, são vencedores. Só quem perde é o Brasil.
Goulart Gomes
Enviado por Goulart Gomes em 22/08/2008
Alterado em 30/08/2008
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