Textos
BUDAPEST: Enfim, um bom filme nacional!
O cinema nacional é especialista em cine-catástrofe. Não, não estou falando daqueles filmes tipo "Inferno na Torre" ou "Aeroporto". A catástrofe são os filmes que produzimos. As ideias mais interessantes se perdem nas fogueiras de vaidades e no mar de excentricidades dos diretores, afogando os "sets" com a força das tsunamis.
Budapest, baseado no livro de mesmo nome, de Chico Buarque, é uma honorável excessão. O filme é excelente. Desde a adaptação do roteiro, fidelíssimo ao romance, passando pela brilhante atuação de todos os atores, em especial Leonardo Medeiros e Gabriella Hamori, até a direção de Walter Carvalho. As imagens da Hungria são maravilhosas e o perfeito contraste proposital elaborado com as cenas do Brasil são magistrais. Enfim, me faltam adjetivos. Eu, que confesso ter lido com uma certa "resistência" o romance de Chico Buarque e ter conjecturado muito se a personagem José Costa é ou não uma das mais marcantes da nossa literatura, confesso agora a minha rendição. Aplaudo, de pé, desde a trama algo surreal da obra literária quanto a sua transposição para as nossas telas. Nem tudo está perdido. O cinema nacional tem salvação!
Goulart Gomes
Publicado em 11/01/2010 às 00h20
Comentários
|